quinta-feira, julho 13, 2017

É assim a vida.


A vida é um bocado parva, if you ask me. Alguns optam por reduzir o nível de parvoíce cortando as bases à vida. A minha mãe por exemplo (casada há mais de 50 anos com o meu pai), nem admite que os casados como ela procurem outras pessoas pelo simples facto de que estão casados e nesse sentido é completamente despropositado e inútil continuar a procurar o amor – das duas uma ou se tem o amor dentro do casamento, ou azarito, tivesses escolhido melhor ou não o tivesses deixado acabar. Como? Isso não interessa nada, acabou, temos pena, aguenta-te.

Numa perspectiva de racionalidade e até de serenidade compreende-se que se corte assim as hipóteses à vida: ela que se vá armar em parva para os tolinhos e outros irresponsáveis. Hoje em dia já nem sequer condeno este tipo de opção, até porque dá muito trabalho, não leva a nada e ando muito cansado.

Eu por outro lado sempre fui muito solidário com a vida, parvo é o meu middle name, e os sucessivos casamentos estão aí para não deixar dúvidas nenhumas – a pobre da minha mãe, sofreu muito com o fim do primeiro, mais por ser o primeiro divorcio da família do que por causa da minha ex-mulher, pois cedo percebeu que o melhor que me aconteceu foi mesmo livrar-me dela. Se com o primeiro sofreu, com o segundo andou dias (semanas?) sem conseguir olhar para mim directamente, (a minha 2ª ex andava ali muito perto da perfeição, era giríssima, super meiga, espectacular mesmo, menos para mim ao que parece) e nem tentou que eu lhe explicasse as razões, deve ter pensado que apesar de gostar muito de mim (quem não gosta? ah ah), eu devia ter algum defeito de fabrico que isto, filho dela, andar a brincar às relações não é coisa de família. Uma coisa que até teve a sua graça, foi que até me chegou a dizer (ela, minha mãe e também a minha irmã mais velha) que ia(m) fazer luto da minha segunda-ex-mulher e que eu nem me atrevesse a aparecer lá em casa com uma substituta. O que é certo é que depois do luto lá apareci com a minha actual esposa e acho que posso dizer com segurança que ainda gostam mais desta do que da segunda, mérito com certeza desta, como aliás também tinha sido mérito da outra (ca confusão) que eu é para o lado que durmo melhor.

Nem quero imaginar como será se houver uma terceira leva – mas, e era aí que eu queria chegar, tenho ideia que não há perigo, e explico porquê – algumas razões são mais ou menos óbvias: daqui a nada faço 51 e apesar do aspecto fabuloso que tenho (modéstia à parte), de conseguir nadar 2 kms em quinze minutos ou correr 20 em menos de hora e meia, a verdade é que às vezes já sinto o corpo a pedir juízo e cada dia que passa as palavras do meu pai fazem mais sentido quando me diz “com essa aparência vê-se que vais morrer cheio de saúde”; a minha mulher ainda tem um tremendo bom aspecto, fica bem nas fotografias e no cabriolet, e gosta de mim o suficiente para chorar em silencio o facto de eu estar apaixonado por outra; e principalmente a razão porque acho que vou ficar mesmo por aqui é porque a vida é assim.

Disse-lhe baixinho enquanto ela vestia o casaco para voltar para casa, “vê lá se paras de ficar gira”. Ela sorriu, derretida e eu, burro, entusiasmado, acrescentei, “qualquer dia não te deixo sair”.

“A vida é assim”, respondeu, enquanto os seus olhos fugiam dos meus.

1 comentário:

NI disse...

Cortar as bases à vida muitas vezes não é opção, nem tão pouco por dar muito trabalho.

:)