quarta-feira, julho 26, 2017

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Sentado, quase de costas para ela, sinto a desconsolação por não lhe prestar atenção, por não olhar para ela. Reunidos com uma terceira pessoa conferenciamos sem dizer nada, selamos assim o fim daquilo que nunca começou. Em desespero de causa, numa das suas intervenções agarra-me o braço para vincar algo que me inclui, mas (ah, herói e miserável!) mantenho a postura e apenas meneio rapidamente a cabeça numa espécie de assentimento envergonhado. Ela continua, exasperada à procura do meu mirar, a voz mais aguda, o soluço escondido nas exclamações. Não suporto mais e com a desculpa que tenho que refrescar a garganta, saio, fujo. Só retorno quando percebo que já não tem mais nada que transmitir e que se prepara para sair. Meu Deus, como é linda, dói tanto como a amo, mergulho num segundo nos seus olhos e choramos os dois, sem verter lágrimas, a inumação de nós.

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O mundo parece-me imutável, continuo a acordar estremunhado, continuo a suspirar sem saber porquê, continuo a sentir a garganta rasgada.

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Percebo agora que até as palavras que escrevo, e também as que escrevi, só servem para agudizar a minha dor, em vez de ajudar, estão a consumir-me, estão a queimar os restos do que sou sem ela.

Tenho que as apagar.

Eu continuarei a seguir-vos, e “nem nunca, nem sempre”, mas por agora termino aqui. Este último post foi escrito ao longo dos últimos dias, enquanto metodicamente fui apagando o conteúdo do blog. Não aguento mais ver este amor dissipado assim. Tenho que me afastar de tudo que é ela também.

Por isso, é adeus.