Quinta-feira, Agosto 04, 2011

Estações de serviço

Adoro as estações de serviço (mesmo quando não estou em viagem).

Fazem-me sentir como se estivesse numa espécie de limbo onde não pertenço a nada nem a ninguém.

Tenho até sensação que podia ficar ali para sempre e não voltar a embarcar no automóvel, na estrada, na vida.

Segunda-feira, Maio 23, 2011

Camacueca

A minha mulher adora filmezinhos que eu chamo da "Camacueca" - não procurem no dicionário, não existe esta palavra, nem me perguntem quem a inventou, não fui eu, nem sei sequer porque lhe dou o sentido que dou: nem tudo tem que ter uma explicação na vida.

Prefere-os, ou melhor prefere vê-los do que os mais sérios e premiados - não porque não reconheça que estes são muito piores do que os outros - os premiados - mas tem esta mania de (quase) só querer ver filmes que acabem bem e puxem sempre a lágrimazinha porque o herói ((nem que seja um cachorro (dos que ladram)) no fim fica junto com a heroína (ou se for o caso com a cachorra).

Eu gosto dela na mesma, aliás até acho querido que seja assim, às vezes até lhe faço companhia, mais porque gosto de estar ao lado dela no dolce fare niente do que por causa do filme, e confesso às vezes também fico quase comovido com os ditos filmes, mas isso deve ser porque estou (mais) velho.

Seja como for só queria mesmo dizer que (os filmes) mesmo sendo da camacueca tem quase sempre bandas sonoras muito giras.

Sexta-feira, Abril 15, 2011

Tristeza

Tenho para mim que (genericamente) a Tristeza é muito subvalorizada pela maior parte das pessoas, euzinho incluído.

É frequente ouvirmos dizer "estou triste porque ela não me liga", ou "hoje sinto-me triste porque queria tanto aqueles sapatos", como se a má disposição da namorada, termos pouco dinheiro ou mesmo a morte do canário lá de casa, fossem razões válidas para fazermos figura de Calimero e queixar-mo-nos ao mundo que não estamos bem: estamos tristes.

Tenho para mim que quando se está verdadeiramente triste, tanto que nem ousamos dizê-lo à pessoa que mais amamos, percebemos melhor o lado efémero da vida, no sentido em que a morte não sendo a resolução é em si mesmo a solução da tristeza que nunca deixará de existir.

Quinta-feira, Abril 14, 2011

Idade

Ontem à noitinha tive que cortar o som à tv para ter a certeza que um trinar que me parecia invulgarmente sonoro era mesmo o som dos... grilos.

Aqui há uns anitos, (muitos aliás), tenho a certeza que tinha percebido logo a origem de tão banal ruído; ontem cheguei a pensar que era o meu cerébro a mostrar (mais um) sinal de demência barra senilidade...

(Claro que o ser estranho que estava estirado a meu lado não ajudou nada, pois à minha repetida pergunta "não ouves?" respondeu inúmeras vezes "não (ouço nada)" até que de forma sonolenta e mais para que me calasse do que por interesse lá disse "pois claro que são os grilos")

Quinta-feira, Setembro 10, 2009

Estou na Lua

Mudei (outra vez) o nome do blogue: sempre tive esta mania (que deve ser alguma tara explicável psiquiatricamente) de ter tudo muito arrumadinho, muito sistematizado, dos números redondos, etc e tal; o blogue tem o endereço estounalua.blogspot.com, logo incomodava-me que tivesse outro nome qualquer.

Para terem uma ideia do que falo (relativamente a esta tara) quando mudo o volume do som do rádio, mudo sempre para 5, ou 10, ou 15 e por aí fora. Às vezes sem querer aquilo fica no 11 e quando reparo estou ali uns segundos a fazer de conta que não me faz diferença e de repente, quase como se estivesse a escondê-lo de mim próprio mudo para um dos tais números. Suponho que o grau de insanidade ainda não seja preocupante, 1º porque ainda ninguém reparou nisso, e 2º porque ainda não vejo personagens imaginárias.

Tinha feito uma espécie de promessa em só voltar a escrever aqui quando determinado acontecimento tivesse lugar, mas hoje apeteceu-me e pronto.

Não foi tudo um apetite vago: também foi porque alguém, religiosamente visitava este blogue - se calhar até foram várias pessoas, e quiçá todas diferentes - mas o relatório que recebia apresentava sempre como certa uma visita diária, e acreditar que era sempre a mesma pessoa torna a coisa mais bonita, até que há coisa de poucos dias/semanas passou a ser zero o número de visitantes diários - a partir desse momento apeteceu-me escrever, vá-se lá saber porquê.

Hoje está um dia bonito. Têm estado dias espantosamente bonitos e quentes.

Amanhã vou à faca. Nada de especial, remoção de dois sinais a fugir para o grandalhudos que já me andavam a incomodar, um há vários anos, e o outro, na testa, há uns meses largos.

Tenho obras em casa. E parece que se vão prolongar por via da renovação de outras obras, mulher dixit. Para mim, é mais ou menos indiferente, nessas coisas da casa, desde que tenha onde dormir e suprir as minhas outras necessidades básicas, o resto, adereços e afins são como ela quiser.

Já há uma data de tempo que não vejo os meus dvds do Seinfeld e outras coisas do gênero que gosto. Aliás pouca ou nenhuma televisão tenho visto, tirando telejornais e um outro evento desportivo. Felizmente consegui voltar à minha média de leitura, 1 a 2 livros por mês. Não será muito, mas se vissem a vida social que levo percebiam que melhor é impossível.

Segunda-feira, Dezembro 22, 2008

Os blogues são como as novelas

Meses depois da minha última visita a este mundo (dos blogues), isto é, depois de ter ido espreitar os do costume, está tudo mais ou menos na mesma!

Tal como nas novelas terei de esperar mais uns meses, (mas quantos???), para que alguma coisa mude?

De resto, há que confessar, a minha vida também não mudou assim muito, até porque basicamente tal como da última vez que aqui escrevinhei, sou feliz!

Tão feliz que tornar-se-ia (mais) aborrecido falar sobre isso. Fica apenas a nota, completamente boring que provavelmente dentro de pouco mais de um mês voltarei a ser aquilo que quase tinha jurado (eu que nem sou de juras) nunca voltar a ser.

Terça-feira, Setembro 23, 2008

Bom dia

Estendo a mão (porque está dorida de ter estado debaixo de mim) e espreguiço-me com prazer. O pequeno resfolegar que os meus movimentos provocam semi-acorda-a e rolando abraça-se a mim ainda parcialmente inconsciente. Sinto-a respirar como se dormisse e no entanto abraça-me com uma força tal que ficamos tão pegados que o seu cheiro se confunde com o meu. Mesmo no escuro não consigo evitar o sorriso de sentir-me assim completamente feliz e penso, sem ter que decidir, no que será melhor: ficar assim o resto da noite que já acaba, ou beija-la quando for dia e a luz iluminar os olhos mais belos que conheço.